Quando penso em "trash", duas coisas pulam na minha cabeça: remakes de filmes japoneses de terror e Quentin Tarantino. Se tem alguém que sabe plagiar com originalidade, é ele. Ninguém melhor para dar o exemplo do que um de seus melhores amigos, Robert Rodriguez (Roberto Rodrigo!).
Diretor de El Mariachi e Desperado, dois primeiros filmes da trilogia do mariachi, Rodriguez agora se perfaz com adaptações de quadrinhos de Hollywood, mas nem sempre ele teve tanta grana para seus projetos. É a parte gritante de seus filmes.

El Mariachi (1992), Desperado (1995).
Ambos contam a história de um rapaz que resolveu seguir as heranças da família e se tornar um mariachi: um homem que vive de seu violão, tocando músicas em bares, viajando de cidade em cidade e vivendo da boa vontade dos que gostam de suas músicas. No primeiro filme, graças a um grande mal-entendido, ele acaba por ser confundido com um assassino em uma missão de vingança e tem que correr para salvar sua vida (correr é o que ele mais faz, nos filmes!). Já no segundo filme, ele parte para sua própria vingança depois de perder uma pessoa muito querida.

No mais, são filmes divertidos, com muita ação e um roteiro interessante na medida do possível. Algumas cenas nos fazem pensar "mas ele não achou que seríamos burros o bastante pra acreditar, né?!" mas talvez esta seja a graça dos filmes: pode ser ridículo de tão trash, mas ainda sim é divertido e envolvente - e você até se esquece que é inteligente!

Destaque para algumas cenas marcantes:
O mega jump no capô do carro, fazendo com que dois homens atirassem um no outro, pela falta de habilidade com a mira. Aliás, quem é que tinha QUALQUER habilidade com a mira, nesses filmes?
O cachorro usando Rayban, curtindo um sol mexicano, de férias no seu paraíso fiscal, provavelmente.
As caixas de violão virando metralhadoras e lança-foguetes, no meio das ruas.

Agora só nos falta terminar a trilogia, assistindo Era Uma Vez No México, mas daí Rodriguez já tinha recursos e status, mudando consideravelmente sua forma trash de ser.

Bom, hora de inaugurar isso aqui.
Darei o primeiro passo.

Certo, então esse domingo assisti Espelhos do Medo, que não é de todo ruim, talvez um pouco previsível demais, mas tem seus momentos (cena da banheira). Mas pra inaugurar vamos falar de um filme mais radical. Bem mais.

Haute tension (Alta Tensão, 2003)
Creio que já deve ser bem conhecido agora, mas não custa nada falar bem quando o filme merece.
Era um domingo, 9 da noite. Eu tinha acabado de voltar do cinema e ia assistir sozinho em casa (já que acho que boa parte do círculo de filmes poderia não gostar do filme), mas tentei ainda assim marcar o filme com a galera. E deu certo.
O filme começa meio estranho, mostrando um sonho de Marie. Então vemos Marie e Alexia viajando de carro para a casa dos pais de Alexia. É uma casa no campo, aquelas clássicas paisagens com milharal e tudo mais, onde não adianta gritar porque ninguém vai ouvir mesmo.
Ainda no começo do filme somos apresentados ao nosso assassino, e a cena de apresentação é um bocado... estranha.
E eis que na noite em que as meninas chegam à casa e se arrumam para dormir, a campainha toca e então começa o filme. O assassino toca o terror mesmo, não fala nada, não corre, tudo friamente calculado, e aparentemente, ele não tem motivos além das simples necessidades humanas. Marie consegue se esconder dele e portanto sobrevive, porém Alexia é levada em seu caminhão. Então Marie vai atrás para salvar a amiga.
Se fosse só isso seria uma coisa bastante batida. Mas no fim do filme temos uma pequena mudança nos papéis que faz toda a diferença. Que eu não vou falar aqui, obviamente. Apenas assista, caso ainda não o tenha feito.
Contagem de corpos: 6 (e uma cabeça).
As cenas legais são geralmente mostradas na tela, você não fica quebrando a cabeça pra saber o que diabos aconteceu. Claro que mortes implícitas também tem seu valor, mas aqui fica melhor explícito mesmo. É violento, porém não é algo de enlouquecer, dá pra assistir sim mesmo não estando acostumado a essas cenas.
Ah sim, Alexandre Aja dirigiu tanto Haute Tension quanto Espelhos do Medo, e o remake de The Hills Have Eyes. Não vi outras coisas desse cara além destes três filmes mas o cara é promissor.
Simplesmente, assista.